sábado, 28 de março de 2015

Fiz um cocô mole com pedacinhos de milho



A televisão estava ligada, imperava aquela leseira pós-almoço de sábado, nada para fazer. Quando me toquei, minha cueca estava toda borrada de cocô, daqueles com pedacinho de milho, meio líquido  que escorre caldinho pela perna. O cheiro azedo chegou até a esposa, que rapidamente veio me acudir. Afinal, ela foi a responsável pela refeição e, como é gestante, havia o medo dela sofrer dessa infelicidade súbita.

A salada era fresca e a torta de frango, ainda que congelada, estava na validade. Um sussurro desafinado, na verdade, mais parecido com um cabrito sob tortura. Claro! A origem daquele revertério intestinal era da televisão, o Multishow transmitia o Lollapalooza e a tal Banda do Mar entoava seus mantras paumolengas. Maldito Marcelo Camelo e o LooserManos way of life.

O sempre ácido Régis Tadeu, crítico musical dos bons, escreveu há um tempo o quanto devastador a banda carioca fora para o rock nacional. Ele tem toda razão. Se Ana Júlia já era um chiclete sabor atum, o que veio depois foi uma pretensiosa ideia de que meia dúzia de páginas mal lidas acrescentadas a Beatles resultaria em um rock avan-garde.

Pobre Los Hermanos e seus fãs acéfalos. Uma bandinha abaixo da mediocridade, com toques de uma intelectualidade fundo de quintal e de uma estética metida (e iludida) a vintage. Bobo, sem tesão. Nesse mise-en-scène, apareceu uma menina de quinze anos, uma galetinha sem voz, inexpressiva (coerentemente prestando honrarias à Joan Baez, uma verdadeira MALA!). Logo incorporada ao marasmo artístico, vestimentas na tendência cool e guitarra a mão com cara de plástico. Senhoras e senhores, Mallu Magalhaães, aquela que parece com o nada e lembra ninguém.

Porra, o que é essa Banda do Mar senão a prova incontestável de que o rock nacional precisa urgentemente de uma cartela de Viagra direto na veia?

"Eles não têm nenhuma presença de palco", disse minha esposa. Ela foi bem bondosa, eles não têm presença de palco, não têm sangue, não têm uma proposta musical. E, por favor!, não me venham com a retórica de boteco "a proposta é não ter proposta". Digo, a música deles é como um barco à deriva em um mar sem onda, sem vento, mas com um enjoo permanente. 

Esse estilo pau mole, meio blasé, meio intelectual é a semente que deu origem a frutos putrefatos, bandas que já nascem cansadas. Eis a prova, semana passada recebi um email com endereço "LosHermanosRevisitado", de um grupo novo. A tragédia non-sense abaixo:





Entende? A herança musical de Los Hermanos, Marcelo Camelo e "Banda da Praia" é toda uma geração de bandas que se considera os trovadores da cultura pós-moderna. Balela, tudo gosma da mesma punheta mal batida.

A Banda do Mar, e seu público mongolóide, é como um artista que em plena National Gallery de Londres expõe uma privada com doce de leite e pedaços de parafuso. O que é aquilo senão um grande lixo? Cocô sempre será cocô, mesmo em um país em que a Blitz é considerada rock.

2 comentários:

Dr.K disse...

Fantástico!!!!!!!!!

Dr.K disse...

Fantástico!!!!!!!!!