terça-feira, 3 de setembro de 2013

Entrevista Marky Ramone


Agora sim, oficialmente, o Coluna Blues Rock tem mais de cem mil acessos! E para quebrar tudo, uma entrevista com o lendário baterista do Ramones, Marky Ramone. Integrante da formação clássica da banda que transcendeu o punk, Marky participou ativamente do nascimento do punk e conviveu com os nomes mais importantes da cena. Senhoras e senhores, é com orgulho que anuncio, pela primeira por aqui, Marky Ramone: "one, two, three...".


Ugo Medeiros - No livro Mate-me Por Favor, os autores (Larry "Legs" McNeil e Gilliam McCain) colocam o Velvet Underground, o MC5 e o New York Dolls como os padrinhos/pré-formadores do punk. Você concorda com isso? Aproveitando a questão, essas três bandas foram as que mais te influenciaram no final dos anos 1960, início dos anos 1970?

Marky Ramone - NÃO! As bandas que mais nos influenciaram foram da invasão britânica, especialmente The Beatles, The Kinks e The Who. As harmonias, o tipo de composição combinadas com aquelas apresentações de pura força foram as nossas inspirações. 

UM - Você fez parte de uma das bandas seminais do hard rock, o Dust. Juntos, vocês gravaram dois álbuns. Como vocês se conheceram? Como foi essa experiência?

MR - Nós nos conhecemos no colégio, sempre íamos juntos. Foi o meu primeiro passo no mundo da música profissional e ainda tenho muito orgulho pelos álbuns que gravamos! Éramos jovens e não tínhamos ideia do que haveria pela frente, mas foi um grande começo para a minha carreira de mais de quarenta anos...

UM - Logo depois, você teve uma rápida passagem pelo Estus. Era um som completamente diferente, um pouco mais psicodélico. Como foi a transição daquele som para algo mais "sujo" e "crú"?

MR - Nós éramos mais uma banda de country rock, portanto não se encaixava tanto nos meus gostos musicais, bem, por isso a rápida passagem.
UM - Entre 1974 e 75 você entrou em contato com pessoas novas, que viriam a formar a cena punk. Era uma nova cena que se orgulhava das "bizarrices". Você poderia falar um pouco mais daquela atmosfera?

MR - A cena musical nova iorquina daquela época era bastante pobre e bastante improvisada, assim como boa parte da cidade. As pessoas eram criativas e conseguiam sucesso na música, artes e modas mesmo sem dinheiro para comprar novos equipamentos e materiais. Era um talento crú que emergia e florescia.

UM - Em 1976 você entrou em contato com Richard Hell e formou The Voidoids. Vocês gravaram um disco muito importante, Blank Generation. Como foi o primeiro contato? O que você poderia falar sobre ele?

MR - Bem, eu não andei com ele por muito tempo, mas posso dizer que ele era um viciado bem difícil de se lidar. Ele era um garoto que veio do interior e eu nasci no coração da cidade grande, portanto nós vivíamos em sintonias completamente diferentes.
UM - O punk ganhou uma proporção gigantesca quando as bandas americanas excursionaram pela Inglaterra. Como foi a recepção por lá? Você acha que os ingleses distorceram o punk original?

MR - O punk nasceu nos EUA e foi refinado na Inglaterra. Nada de errado nisso.

UM - Durante a época dos Voidoids, você já conhecia o som dos Ramones?

MR - Sim, pois sempre os víamos e nos esbarrávamos no CBGB.

UM - Primeiramente você entrou em contato com o Dee-Dee Ramone. Ele sempre foi e será uma figura muito querida pelos fãs e de grande interesse. Você poderia falar um pouco sobre ele?

MR - Ele era um grande compositor e performer, um dos meus melhores amigos. Sinto muita falta daquele cara...

UM - A relação da banda com as drogas era um exagero ou, de fato, quando você entrou a banda estava a pleno vapor (especialmente o Dee-Dee)?

MR - Drogas? Não me lembro...

UM - O seu primeiro disco com os Ramones foi Road to Ruin. Como foi entrar no estúdio com a banda? Digo, como foi a atmosfera?

MR - Eu estava muito ansioso para mostrá-los o meu potencial. Também estava muito feliz por estar envolvido com um grupo, uma BANDA que eu era plenamente identificado. Estava musicalmente feliz e isso transbordava para o meu humor.

UM - Infelizmente a banda nunca teve sucesso comercial. Uma das tentativas foi trabalhar com Phil Spector, o maior produtor da história, uma figura minimamente "excêntrica". É verdade que ele os mantiveram presos em sua mansão e, ainda por cima, ameaçou matar o Joey?

MR - Muito do que se passou naquele estúdio foi exagerado ou inventado por terceiros. Ninguém estava no estúdio, apenas nós. Excêntrico, sim. Violência de fato, NÃO! Essas história vão aumentando e ficando mais selvagens com o passar do tempo...

UM - Você desempenhou um importante papel na banda: aliviar a tensão entre Johnny e Joey. A relação deles era realmente pesada? Havia, de fato, uma mágoa do Joey para com o Johnnie?

MR - Joey, Johnnie, uma mulher... The KKK took my babe away... Disse o bastante? Eu sinto falta dos dois e eu sei que eles, lá de cima, olham para mim e vêem que eu mantenho vivo o legado.


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UM - Na minha opinião, após o Ramones, você sempre se manteve atualizado, não como alguns músicos que permaneceram cristalizados em apenas uma fórmula. Você concorda com essa visão?

MR - Sim e não. Nós sempre tentamos permanecer fieis às nossas raízes, no estúdio às vezes nós dávamos um jeito de concretizar nossas (novas) ideias, outras vezes não. Contudo, se você viu nossos shows, sabe que o Ramones nunca mudou. Velocidade máxima, muito suor, "rosto punk" com melodias pegajosas.

UM - Você estará no Rock in Rio com o Offspring. Como nasceu essa parceria? Aproveite a chance e mande uma mensagem para o público brasileiro...

MR - Nosso empresário na América do Sul foi o responsável por acertar esse show. Estamos todos muito felizes e orgulhosos! Nós daremos uma hora do punk rock ao público carioca, preparando-os para o Offspring. Quem sabe, talvez uma jam com eles. [Nota do editor: será um furo de notícia?]. Será um dia divertido e mal posso esperar para nossos fãs das antigas e a garotada!



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