quarta-feira, 21 de setembro de 2011

Me bata, me espanque. Como ser roqueiro no Rio de Janeiro



...E depois ainda me perguntam por que não há rock no Rio de Janeiro. Mais uma vez, a mídia conseguiu implodir e “idiotizar” o rock. Na Carta ao Sr. Caco Barcelos (Profissão Repórter) ficou explícita a limitação da mídia ao tratar o estilo. Isso fora comprovado através da comparação entre um vídeo que trazia uma reportagem sobre o heavy metal no Rock in Rio 2 (1991) , autoria de Ilze Scamparine, e a cobertura do SWU (2010) pela jovem equipe do Sr. Barcelos.

Vejam a matéria do RJTV do dia 26/08. Novamente, um estudo da “realidade realizando a realização do real”:

video

Primeiramente, um ponto periférico. A coisa já começa errado pela música da abertura, batidas de hip-hop. Claro, se a matéria é feita pelo povo ignorante, nada mais coerente do que colocar as “expressões dos excluídos”. Nossa! só o jornalismo permite essa interação entre massas incultas e selvagens e os intelectuais, sempre embalados pelo best of Chico Buarque e genéricos. [É necessário falar sobre a alta dose de acidez e humor doentio...?]

O tratamento dado à matéria pela equipe da Globo é completamente equivocado! O Heavy Duty é uma das poucas casas de rock na cidade, apesar de certos estereótipos que são fiéis à proposta da casa. Ela deve ser respeitada e merece uma reportagem digna. Dito isso, vejamos alguns pontos.

Desculpem-me o radicalismo, mas esse vídeo é a involução do homem. Apresenta nosso bravo “segurador de microfone” assumindo uma de suas identidades secretas. Além de antropólogo-de-fundo-de-quintal, ele evoca a sabedoria dos... GUIAS DE MUSEUS! Revejam o vídeo. Agora imaginem uma daquelas visitas guiadas:

- E à sua direita, uma espécie raríssima aqui pelo Rio de Janeiro, os roqueiiiiiiiros...

- Ohhhhhhhhh. Uaaaaaaaaaau...

- Sim, eles são assim mesmo: detestam ambientes limpos e adoram maus-tratos!

- E eles só se vestem de preto?

- Sim, porque é o jeito mais eficaz de assustar as mulheres mais gostosas... Esses roqueiros não pegam ninguém...

- Uaaaaaaaau... Nossa, esse guia é louuuuco, é super descolado...!

Sacaram?! Já é difícil gostar de rock no Brasil, aqui no Rio de Janeiro então... Ser roqueiro é como ser um alienígena. Ou pior, vai ver aliens tomam banho. Os mantras cretinos da bossa nova e adjacências hipnotizaram a cultura por aqui.

Vejam bem como a coisa é grave. A matéria TEORICAMENTE era sobre um bar de rock, mas quanto tempo é reservado à música em si? O importante é discutir as superficialidades. A inteligência da abordagem antropológica da realidade social (sic) é o verdadeiro objetivo. O desejo não é introduzir um estilo musical aos desconhecedores, não, é fazer coro ao jeito carioca “Biscoito Fino” de ser. E eles ainda saem como os mocinhos: “nós mostramos o que é rock. É, eles são bem estranhos mesmo. Agora, podemos voltar ao sambinha...”.

Enfim, de fato, estou revoltado. Vai me bater, me xingar? Yeah yeah, sou roqueiro!

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