segunda-feira, 11 de outubro de 2010

So Many Roads (1965)



Os anos 1960 foram muito favoráveis à cena blueseira. O revival do folk e da música-de-raiz em geral despertou no americano médio, das regiões Norte e Oeste, o gosto pelo blues. Nesse período aparecem excelentes artistas que ao vasculhar o baú, ganharam ares mais maduros em plena juventude. O desejo de ir à raiz da questão, no caso a música popular norte-americana, os deu uma base cultural e técnica sólida.

As influências eram diversas: folk, bluegrass, western swing, ragtime, jazz, blues, etc. Não importava o estilo. A busca e o amor pelos antepassados se prestavam através da música. E foi através de uma das obras primas de John Hammond Jr. - filho do maior produtor e olheiro da Columbia, John Hammond – que o blues celebrou o encontro entre a geração dos bluesmen old school e a da nova safra.

Apenas a presença do, então jovial, John Hammond Jr. já daria a certeza de um blues calmo, introspectivo e sincero. Mas armou-se uma verdadeira seleção, que desbanca até hoje qualquer outra vista, ao menos no blues. Parte da futura The Band, que começava a aparecer na cena musical, participou da gravação dessa joia rara: Robbie Robertson (guitarra), Levon Helm (bateria) e Garth Hudson (hammond). E ainda contava com as ilustres presenças de Charlie Musselwhite (gaita) e Michael Bloomfield (guitarrista, mas na ocasião tocou piano).

“Eu conheci o The Band em 1962, em Toronto. Eles ainda se chamavam Levon and the Hawks e eram liderados por um cara chamado Ronnie Hawks. Nós tínhamos a mesma faixa etária, eu estava começando a minha carreira e eles já eram todos profissionais, realmente, excelentes músicos. Eles costumavam ir à Nova Iorque. Lá, nós saímos, passávamos tempo juntos e, às vezes, eles apareciam nas minhas apresentações. Ficamos muito amigos. Em 1965 ou 1964 eles estavam na cidade e eu tinha assinado com a Vanguard Records. Perguntei à gravadora se podia fazer uma sessão com a banda e outros músicos, como Michael Bloomfield e Charlie Musselwhite. Assim, depois de três horas de estúdio e 12 faixas gravadas, estava pronto So Many Roads.” (Em entrevista concedida ao blog em 2009).

So Many Roads abre com Down in the bottom, composta pelo todo poderoso Willie Dixon, e, logo de saída, vai de pé na porta. Uma aula de blues! Long distance call, de Muddy Waters, derruba os possíveis preconceitos quanto ao vocal de um bluesman branco (mais uma prova de que blues não se canta o blues, mas se sente). O que falar da parte em que gaita e slide se sobrepõem?

Who do you love?, clássico de Bo Didley, é outro cover muito bem representado. I want you to love me (Muddy Waters) é um slow blues da melhor qualidade. Nada igual à seriedade e sensualidade de um blues lento. So many roads, so many trains é mais uma amostra do que uma banda repleta de “dinossauros” pode fazer.

Em um disco de blues nunca pode faltar um cover de Robert Johnson. Rambling Blues honra o grande mestre, com destaque para Robbie Robertson e sua guitarra inigualável. You can’t judge a book by the cover é mais uma do vasto repertório de Willie Dixon. Novamente, a gaita de Musselwhite destaca-se, impressionante a sua rápida adaptação à banda montada de útlima hora!

Outro peso pesado que é lembrado por Hammond é Big Joe Williams, um dos meus bluesmen favoritos. Baby please don’t go, canção com inúmeras versões, é mais uma dessas obrigatórias do estilo. E encerrando de forma honesta, Big boss man (Luther Dixon e Al Smith).

Conhecer o blues é necessário em tempos de tanto lixo musical. John Hammond Jr, um verdadeiro Sr. do blues, pode ser um grande guia nessa missão!

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