segunda-feira, 7 de junho de 2010

'Pixies': fora de rótulos da grande mídia e participantes de momentos da minha vida. Sensacionais!!!!


Por Fábio Pires
Pesquisador e colecionador
Editor dos blogs A Musicalidade e Isto é Jazz


Conheci a lendária banda em 89 no segundo semestre desse ano, através de um grande amigo que comprou o 'Surfer Rosa' em versão nacional. O impacto foi sensacional: era muito acostumado e ouvinte ardente do pós-punk britânico dos 80 e uma banda gravando pela 4AD só podia ser britânica!! Eu achava que eram da 'terra da rainha', mas descobri logo depois que eram dos EUA e achei aquilo muito estranho. Era 89 e ainda não tínhamos tanto acesso à informação, apenas alguns jornais NME e o programa do Kid Vinil nas rádios que veiculava muitas bandas do chamado 'indie' da época. 'Trompe Le Monde', um tempo após, foi em 91 um grande disco que para mim está entre meus dez favoritos de todos os tempos...

Sinto-me na obrigação de mencionar esses norte-americanos de Boston que se formaram originalmente em 1985 e terminaram em 1993 como uma das bandas mais sensacionais do cenário rock dos anos 80. Numa enorme influência de surf-music e punk de guitarras berrantes e desafinadas, aparentemente, os Pixies foram um grupo que, à meu ver, não foram tão influentes assim, mas reverenciados por uma série de outros grupos que na mesma época se deparariam com o chamado movimento grunge (pela mídia) que nasceu como alternativo e massificou-se na MTV tendo como seu principal representante o Nirvana. Os Pixies tinham seu estilo próprio, sua forma própria de criação musical, sua linguagem peculiar e suas letras que relatavam experiências com deuses e deusas, viagens interplanetárias e até relatos sobre o 'El Niño' (que na época era a 'sensação' dos cientistas em suas pesquisas sobre o clima). A gritaria de Black Francis tornou-se marca registrada do grupo, que apoiado pela baixista Kim Deal e pelo guitarrista Joey Santiago criavam uma identidade sonora única regada à influências de Beach Boys, música hispânica, country e punk rock escrachado.


A discografia da banda não é tão extensa, mas os trabalhos lançados durante a carreira de 8 anos foram de fundamental importância para redefinir o chamado indie rock que estava se transformando naquela época. Para quem não sabe o termo 'indie' vem de independent em Inglês, que serve para designar os grupos ou artistas que não gravavam por grandes gravadoras e obtinham reconhecimento através de pequenos selos. Poderemos falar sobre isso mais adiante em postagens futuras numa abordagem do papel das gravadoras (pequenas e grandes) no desenvolvimento da música rock e pop dos últimos 50 anos. Logo em seu primeiro álbum Come on Pilgrim (1987) os Pixies mostravam um som mais 'viril' para a época e que poderia enganar qualquer 'punk de plantão', com canções como 'Caribou', a ótima 'Vamos' (com algumas frases em espanhol) e 'Levitate me' o álbum estreou na gravadora 4AD um ano após a outra banda norte-americana Throwing Muses ter assinado um contrato com os britânicos e ter participado numa coletânea com outras bandas inglesas do meio underground inglês (sim!! a expressão saudosa era muito veiculada na época).

Doolittle, que me fez conhecê-los, alterou meu modo de ver o rock na época: acostumado à guitarras cheias de efeitos de bandas como Cocteau Twins, Bauhaus ou mais convencionais como The Smiths (minha grande referência nos 80 e tema de um tópico 'desafiante' para uma futura postagem, pois a banda é um assunto muito 'tabu' para mim) e Railway Children, para citar algumas, os Pixies vinham com uma mistura que já talvez antecipava o que viria nos anos 90 com grupos como Red Hot Chilly Peppers (apesar de serem da mesma época que os Pixies), Jane's Addiction, Nirvana, Mudhoney, enfim todos aqueles grupos dos EUA que de uma forma ou de outra, gostem ou não (e sou muito crítico da enorme maioria dessas bandas) sedimentaram uma base de reconhecimento, levando o chamado underground à popularidade e à sua definitiva destruição. O início do álbum já vem com uma canção à la surf-music com uma 'pancada sônica' de doer quaisquer ouvidos com 'Debaser' (já se poderia prever o que viria nas faixas seguintes, dada a primeira amostra da banda em seu álbum de estréia), passando pelas ótimas e 'ardidas' 'Tame', a sensacional 'Wave of mutilation' e a depressiva 'I bleed' com uma pitada de guitarras distorcidas nela. O ápice do álbum está nas 'Here comes your man', que veiculada de forma irresponsável pela MTV brasileira como música de trabalho distorceu, à meu ver (deixo bem claro) o que era o Pixies na época. 'Monkey gone to Heaven' com um fenômeno parecido da canção anterior mencionada, mas veiculada nas rádios, seguindo com a última do álbum chamada 'Gouge away' que para mim é uma das canções mais perfeitas feitas na década de 80 por um grupo alternativo.

Bem, para vocês que estão lendo essa postagem e que querem saber mais sobre Pixies acessem quaisquer canais de mídia desde blogs, comunidades no orkut e muitos vídeos no youtube retratando várias apresentações ao vivo, sobretudo, e que servem de ajuda para os neófitos dessa banda que se desfez em 93, gerando ótimos trabalhos tanto de Black Francis (depois conhecido em sua carreira-solo como Frank Black), Kim Deal com os Breeders e Joey Santiago com os Martinis. Eles voltaram em 2004 para vários shows e turnês inclusive no Brasil e principalmente na Europa, continuam excursionando, mas sentimentalmente falando nunca mais conseguirão reproduzir aquele sublime momento do início de suas carreiras onde tudo era novo e onde milhares de pessoas queriam ver de perto quem eram aqueles quatro integrantes que deram sua singela colaboração para o rock do final dos 80 e que viraram 'lenda viva'.

Sobre o álbum Trompe Le Monde, esse merece uma postagem exclusiva que virá no futuro, pois sendo meu álbum favorito quero dedicar è ele um momento especial em nosso blog. Abraço à todos...

2 comentários:

fabiopires disse...

Obrigado Ugo. Gosto bastante de seu blog e junto com outros de outros amigos nos enriquecemos muito de música e aprendemos com todos vocês. Outros textos meus virão, sempre com sua permissão. Obviamente. Grande abraço!!

Ugo Medeiros disse...

Fabão, home sweet home... Sinta-se da casa... Pode ficar de cueca e pegar cerveja na geladeira... hahahahahahahahahaha

Seus textos são do caralho, sempre sairão aqui. Assim, como coloco todo texto meu à sua disposição! (sério, não rasgação de seda!)

Em breve colocarei alguns videos do backstage de rio das ostras... Vem coisa boa! Ou não, pois eu tava cheia da cana... ahahahhaha

Abraços