terça-feira, 8 de junho de 2010

Celebração à música real


Por Frederico Vreuls, colecionador e colaborador do Coluna Blues rock

O 8º Rio das Ostras Jazz e Blues Festival, realizado no último feriado, representou muito mais do que alguns rostos conhecidos em um mega evento; mas, sim, um verdadeiro resgate da música de qualidade. Nem mesmo a forte chuva e frio impediram que milhares de pessoas de diferentes lugares deixassem de comparecer ao longo dos cinco dias de festival.

E elas conferiram nomes respeitados do cenário mundial, que mostraram respeito, amor e dedicação ao que fazem. Infelizmente, são desconhecidos da maioria, limitando-se a um nicho restrito de apreciadores.

Bom exemplo foi o show do baixista jamaicano T.M. Stevens, que não à toa foi escalado para encerrar o evento. Com energia contagiante, realizou um espetáculo em clima de festa e celebração, exaltando a “música real”, em detrimento às músicas artificiais que somos bombardeados pelas grandes mídias.

Stevens interagia como um velho amigo do público presenteando a todos (em um festival de jazz e blues) com trechos nostálgicos de dinossauros, como Led Zeppelin e Jimi Hendrix.

- Deixem o computador de lado. Peguem e toquem seus instrumentos – aconselhou T.M -. Nós não temos nenhum computador aqui em cima, só nossas mãos.

Sempre simpático e acessível, desde o backstage ao palco, soube transmitir a mensagem: música livre de rótulos e preconceitos, sem a dureza de racionalizações. Com significado, exercendo seu papel enquanto arte, ganhando um verdadeiro sentido ao fazer o público se identificar, se entregar e vivenciar aquela experiência.

Isso é música, deixar o artista livre para se expressar. Conectando pessoas diferentes, de forma a romper as barreiras da classe ou cor, ou seja, deixando para trás todas as diferenças. Como o próprio músico disse:

- Vocês agora são todos africanos e nós somos todos brasileiros, porque somos todos os mesmo.

E isso ficou nítido em suas apresentações ao fazer a platéia inteira cantar, pular e vibrar, embaladas por um groove irresistível. Uma mistura de funk (o de verdade!), reggae, fusion, entre outros elementos com muita pegada. Não importam as definições, e sim que dali transbordava um som pulsante, cheio de vitalidade.

Toda a banda se mostrou muito talentosa e competente, formada ainda por Cindy Blackman, Delmar Brown e Blackbyrd McKnight, todos nomes que já não precisam mais provar nada a ninguém – apenas ao bravo jornalismo brasileiro...

O Rio das Ostras Jazz e Blues Festival passou a ser referência mundial. Organização impecável e acesso democrático dão as cartas desse evento que divulga artistas de grande calibre. Foi uma coisa bonita de se ver e que encheu o público de orgulho por estar ali presente. De fato, quem lá esteve teve uma experiência inesquecível.

Um comentário:

Mel Teófilo disse...

Só pra contrar, o show de São Paulo foi Insano!