segunda-feira, 5 de abril de 2010

Super Session (1968)



As jams sessions sempre reservaram momentos únicos. Essa semana mesmo baixei a bootleg da jam entre Jimi Hendrix, Johnny Winter e Jim Morrison. Apesar da qualidade sonora não ser das melhores, quase enfartei tamanha a emoção: blues comendo solto do começo ao fim. O resultado dessas “brincadeiras” entre os músicos, na maioria das vezes, era uma gravação mal feita ou um relato de alguma testemunha. Felizmente, não é o caso de Super Session (Columbia), projeto liderado pelo genial Al Kooper (Blood, Sweat & Tears) e com participações de Michael Bloomfield, até então no Electric Flag, e Stephen Stills, ainda no Buffalo Springfield e a algumas semanas de integrar o Crosby, Stills & Nash).

O disco foi gravado durante duas grandes sessões. Na primeira parte, Al Kooper, que produziu os primeiros discos do Lynyrd Skynyrd, chamou Michael Bloomfiled, experiente guitarrista com passagem pela Paul Butterfield Blues Band. Os dois já se conheciam desde os tempos das gravações de Highway 61 Revisited (1965), peça fundamental da vasta obra de Mr. Robert Zimmerman, vulgo Bob Dylan.

O blues era o ponto comum entre eles e logo mostraram que o entrosamento ia muito bem obrigado. A primeira, Albert’s shuffle, já é um cruzado de direita no queixo. Um blues instrumental carregado de feeling, onde a cozinha, composta por Harvey Brooks (baixo) e Eddie Hoh (bateria), dá total liberdade à dupla Kooper/Bloomfield. Há ainda o piano elétrico de Barry Goldberg, que participaria também da segunda faixa, Stop: um blues com muito groove. Só posso falar uma frase após escutar essa canção: Michael Bloomfield é FODA!

Mens temptation, do soulman Curtis Mayfield, traz um bom soul pop. His holy modal majesty é uma viagem com mais de nove minutos. A introdução fica por conta de Kooper no ondioline (precursor do sintetizador), que junto da guitarra de Michael e a pegada jazz da bateria, criaram um clima bem psicodélico. É uma verdadeira jam: improvisos do começo ao fim com direito a microfonia e muito dedilhado. Encerrando a odisséia musical, um som limpo, como se tivessem tido uma epifania após desbravarem místicas terras musicais. Really, a última com Bloomfield liderando as guitarras, confirma o ditado que “o bom filho a casa torna”, no caso a banda retornou ao Mississipi, em outro blues sensacional.

Após quase nove horas de muito som, Michael estava exausto e completamente chapado de heroína. Ele juntou suas coisas e foi embora. Para a segunda parte, Kooper convocou Stephen Stills. Sua contribuição ao trabalho inicia com It takes a lot to laugh, it takes a train to cry, de Bob Dylan, em um arranjo mais rock, bem diferente da versão original. Depois temos outro cover, dessa vez do inglês Donovan, Season of the witch. Com um “groovezão” impulsionado pelos sopros, que, assim como em Albert’s shuffle e Men’s temptation, foram adicionados após a gravação (notem a extrema competência de Al Kooper na produção), a música se estende por onze minutos. Baixo e bateria mostraram serviço, agora se encaixando perfeitamente aos sopros, dando uma cara de black music a uma canção originalmente pop psicodélica. You don’t Love me é um pop rock fraco, mostrando que essa segunda parte é mais fraca do que a primeira. O álbum encerra com Harvey’s tune, composta pelo baixista. Uma faixa que soa estranha em seus dois minutos. Ouçam e me digam se não lembra uma mistura entre Kenny G e o pior do progressivo...

Esse é um trabalho de gente grande, melhor dizendo, de músico calejado. Al kooper liderou uma máquina que viajou pelo blues, pop, soul e rock. Apesar da primeira parte, com Michael, ser superior, a obra não fica comprometida e é garantia certa de bons momentos.

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