quarta-feira, 7 de abril de 2010

Paatos – Kallocain (2004)



Por Frederico Vreuls


Paatos é uma banda que me despertou um interesse genuíno desde a primeira vez que a ouvi. A música era Absinth Minded, do álbum Kallocain, de 2004, e sendo assim foi este o primeiro trabalho do grupo que procurei escutar por inteiro. Essa canção em especial me cativou imediatamente por evidenciar aspectos da sonoridade da banda que muito me agradam e costumam me atrair, tais como atmosfera, ambiência, melancolia, suavidade e psicodelia. Aspectos que, para minha felicidade, se mantêm constantes e, aliados, formam sua marca registrada.

Originada da cidade de Estocolmo, Suécia, a banda é formada pelos músicos Pertonella Nettermalm (vocal), Ricard Nettermalm (bateria), Peter Nylander (guitarra), Stefan Dimle (baixo) e Johan Wallen (teclado). Em seus primórdios se tratava de uma banda instrumental, até Pertonella, esposa de Ricard, se juntar à formação e a partir daí virem a gravar seus primeiros registros. A sua entrada ajudou a tornar o som do grupo ainda mais original, e foi um fator determinante para permitir que se consolidassem e conquistassem novos espaços. A voz de Pertonella é ora frágil, ora forte, ora ambos ao mesmo tempo, e sempre carregada de sentimento e de um ar de inocência, sendo o destaque em grande parte das composições.

Através do set list, passamos por uma verdadeira jornada por diversos mundos, com momentos pop, eletrônicos, clássicos, rock e ambiente. O disco abre ao som de um violino e se desenvolve de forma interessante, alternando sequências enérgicas com outras mais calmas. Porém, é a partir da segunda faixa, a hipnótica Holding On, que notamos a principal faceta da banda e somos norteados para o que esperar a seguir.

Seguida de Happiness, a já citada Absinth Minded permanece como uma das minhas prediletas. O uso de efeitos eletrônicos é feito na medida certa, de maneira não abusiva, só contribuindo para a proposta da banda. E dessa maneira são dosados os vários elementos presentes, conseguindo harmonizar com naturalidade momentos intensos e descontraídos. Ao escutá-la, o ouvinte é transportado a outro patamar; a sensação é de estar flutuando, como se dissolvido em meio ao ar em volta.

Look at Us é linda, uma das melhores. Uma voz muito doce e suave, gostosa de se ouvir, e que nos convida para a reflexão. Impossível não se identificar com os versos “Look at us watching our life go by / Thinking our destiny will decide / And we continue to do / What we've always done”.

O tom melancólico continua presente, entretanto transmitindo um sentimento de esperança, ainda que distante, o que gera uma sensação de bem estar. Como se estivéssemos passando por um penoso processo de conscientização, de nos darmos conta de que não adianta enganarmos a nós mesmos. Que devemos encarar nossos medos e a realidade, ao invés de sempre fingirmos ignorá-los. O resultado é a certeza de estarmos agindo da melhor maneira, como pessoas lúcidas e mais evoluídas. Dessa forma, ao final da música são despertados pensamentos positivos, acompanhados de um frio na espinha, especialmente após uma ótima sessão instrumental no encerramento, com destaque para a performance do baterista.

As canções seguintes, Reality e Stream, são cheias de emoção e conseguem penetrar na mente. Esta última conta ainda com um belíssimo epílogo, em que o mellotron nos remete aos clássicos do rock progressivo de bandas como Yes e King Crimson, somado ainda a um dos mais inspirados solos de guitarra do álbum.

Na seqüência, Won't Be Coming Back: melódica e boa de apreciar. Finalizando o álbum, a perfeita In Time, uma música climática, com muita ambiência. Quem se entrega à ela consegue entrar em um estado de relaxamento após ânimos exaltados ao longo do disco.

Muito da qualidade de Kallocain se deve, também, à sua excelente produção, que ficou a cargo de Steven Wilson, líder do Porcupine Tree. Essa parceria se iniciou quando as bandas excursionavam juntas na Suécia. Através de um som limpo e bem definido, Wilson conseguiu realçar detalhes como a diversidade de timbres e o bom groove, resultando num disco bem trabalhado e coeso, não apresentando nenhuma música que destoe das demais, e que tem potencial para agradar diversos gostos.

Um comentário:

Tha disse...

ei! tudo bem?
adoro Paatos e estou interessada nea discografia!
Você não me consegue um link? =)

brigada!

thais05_8@hotmail.com