quarta-feira, 31 de março de 2010

Quem fez história: Otis Rush (revista Blues’n’Jazz nº42)



Por Edson Travassos, colaborador e web designer da revista Blues’n’Jazz

Nome verdadeiro: Otis Rush

Nascimento: 29/04/1934 (cidade de Filadélfia, Mississipi)

CDs recomendados: Mourning in the Morning, Could Day in Hell, Right Place/Wrong Time, Lost in the Blues e I Can’t Quit You Baby: The Complete Cobra Session, todos importados.

DVDs: Otis Rush: Live, Part 1 (importado) e Otis Rush & Friends: Live at Montreux 1986 (ST2)

Ao lado de Magic Sam e Buddy Guy, Otis Rush é um dos pioneiros do chamado west side sound, estilo de Chicago que se caracteriza por vocais carregados de muita emoção (provenientes do Soul) aliados a uma forma intensa e moderna de tocar guitarra.

Sempre acompanhado de seu inseparável chapéu de cowboy, Otis Rush criou uma nova forma de tocar blues, que influenciou, além de seus pares em Chicago, nomes como Luther Allison, Freddie King, Tyrone Davis, Johnny Winter, Mike Bloomfield, Stevie Ray Vaughan e até mesmo Santana. Sua influência atravessou o Atlântico e alcançou músicos como John Mayall, Peter Green, Jimmy Page, Jeff Beck e Eric Clapton.

Seu primeiro instrumento musical foi uma gaita, mas por volta dos oitos anos de idade ele se interessou pelo violão. Foi autodidata ao instrumento, o que o levou, inclusive, à sua forma peculiar de tocar. Por ser canhoto, ele simplesmente colocou o violão ao contrário e aprendeu a tocar com as cordas invertidas (assim como Albert King também o fez). Tal fato é responsável por muito de sua sonoridade, pois dessa maneira peculiar de tocar resultaram bends e vibrattos únicos, que logo se traduziram em parte de sua assinatura musical.

Ainda no Mississipi, Rush já cantava em uma igreja e às vezes também tocava. Foi assim até 1949, quando ele se mudou para Chicago na tentativa de conseguir um emprego. Lá chegando, trabalhou nas mais variadas profissões durante o dia, ao passo que, à noite, Rush freqüentava os clubes de blues da Zona Sul e Zona Oeste da cidade. Foi nesses clubes que viu pela primeira vez uma apresentação de Muddy Waters, bluesman que ele já ouvia tocar nas rádios no sul. Após ver Muddy tocando, Rush finalmente decidiu largar os empregos diurnos e se dedicar exclusivamente à música. Começou a carreira tocando sozinho nos clubes de blues de Chicago com nome Little Otis, mas logo conseguiu montar uma banda.

Rush praticamente inaugurou o chamado west side style, e logo conseguiu causar impacto com sua forma de cantar e tocar. Uma característica marcante de sua sonoridade é a preferência por utilizar tonalidades menores nas composições, o que causa um efeito emocional intenso, devido à sonoridade sombria e angustiante a que os intervalos menores remetem. Outra característica que causou impacto foi o fato de que Otis Rush foi um dos primeiros músicos a usar contrabaixo elétrico na banda. Tudo isso acabou por formar um blues novo, mais dinâmico e agressivo.

Seu primeiro sucesso, em 56, foi a música I can’i quit you baby, de autoria do onipresente baixista Willie Dixon, que alcançou o sexto lugar na parada de rhythm & blues. Durante dois anos, Otis Rush gravou pela Cobra Records sucessos como My Love Will never die, Three times a fool, All your Love (I miss loving) e Double trouble (de onde saiu o nome da famosa banda de apoio de Stevie Ray Vaughan, como homenagem ao grande bluesman).

Apesar de já estar gravando singles desde 56 pela Cobra, Rush só conseguiu gravar o seu primeiro LP próprio (Mourning in the Morning) em 69, pela Atlantic.

Da mesma forma, apesar de ter conseguido um breve e relativo sucesso com suas gravações do período da Cobra, Rush passou sua longa carreira sem o reconhecimento merecido. Mesmo tendo tido várias de suas músicas regravadas por artistas famosos, a maior parte do público desconhece suas versões originais e seu estilo inovador. I can’t quit you baby, por exemplo, foi regravada posteriormente pelo Led Zeppelin e, apesar de se poder ouvir um Jimmy Page fortemente influenciado por Otis Rush, poucos conhecem a origem daquele som forte e intenso. Na verdade, muitos pensam, inclusive, que a música é de autoria da banda inglesa. Assim também aconteceu com outras músicas de Rush, como All your Love, gravada por vários artistas posteriormente, como John Mayall e Stevie Ray Vaughan, ou Double Trouble, gravada posteriormente por Eric Clapton.

Após dezesseis anos sem gravar, em 94 Otis Rush lançou pela Mercury o disco Right Place/Wrong Time, que recebeu excelentes elogios da crítica especializada. Em 98, gravou Any Place I’m Going, e com ele foi vencedor do Grammy. Desde lá, tem feito participações especiais esporádicas em álbuns de músicos que influenciou, como Peter Green e John Mayall. O DVD Otis Rush & Friends: Live at Montreux 1986, lançado recentemente no Brasil, tem participações especiais de Eric Clapton e Luther Allison. Rush esteve no Brasil, no antigo Free Jazz em 97.

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