domingo, 7 de março de 2010

Entrevista Wander Wildner


Ele passou por uma das bandas mais geniais do Brasil, usando o sarcasmo e a ironia como grande ferramenta anti-sistêmica. Hoje, dedica-se ao "punk brega". Fanfarrão por natureza, batemos um papo com Wander Wildner, um dos músicos mais criativos desse país de Macunaímas que apenas produz sambinha e corrupção.

Ugo Medeiros - Seu contato com a música começou cedo, escutando o rádio do seu pai, né? Fale um pouco mais desse início: o que você mais escutava, o que mais te marcou?

Wander Wildner
- Putz! Não lembro, pois minha memória é de peixe...

UM - Você serviu o exército. Essa experiência te trouxe frutos? Foi lá que você “despirocou” de vez (risos)?

WW
- Sofri muita humilhação e descobri que as forças armadas são uma merda. Não “despiroquei”.

UM - Você sempre teve uma forte atuação no campo cultural: trabalhou com cinema, TV e teatro. Isso te ajudou na música?

WW – Para mim, todas as artes estão juntas. O que aprendi com elas, usei na musica.

UM - Sua entrada nos Replicantes foi meio por acaso. Você poderia contar com mais detalhes? Naquela altura você já se considerava um punk ou você caiu de pára-quedas no movimento?

WW - Os detalhes são os que estão na minha biografia (http://www.wanderwildner.com.br/__updates/biografia.html). Nunca fizemos parte do movimento punk. Fazíamos punk rock e, assim, muitas atitudes punks foram incorporadas. Eu acho que punk e hippie é tudo a mesma coisa, mas creio que o que é punk para mim talvez não seja o mesmo para os punks.

UM - Quais foram as bandas de Punk que mais te marcaram no período pré-Replicantes? Tem alguma banda dessa época que hoje em dia você abomina?

WW - Conheci as bandas punks com os Replicantes, não antes. Adoro Sex Pistols e Clash.

UM - Essa é para os colecionadores: pode fazer um top10 de discos punk e um top10 de discos não-punk?

WW - Posso citar que gosto muito do Never Mind the Bollocks (Sex Pistols), do London Calling (Clash) e do Sandinista (Clash). O que eu não gosto, não me interessa e não perco tempo com isso.

UM - Os Replicantes estouraram no Sul com músicas como Nicotina e Surfista Calhorda. A que você atribui a queda (comercial) da banda? Você poderia falar um pouco da sua saída, naquela época, da banda?

WW - Você está analisando os Replicantes sob o ponto de vista de bandas atuais e de um mercado atual. Os Replicantes não têm nada a ver com isso. Fizemos um disco, vinil, com quatro músicas, independente. Fazíamos videoclipes e shows, porque gostávamos, não para ser famosos. Quando estávamos para gravar o segundo disco pelo nosso selo Vortex, uma gravadora nos procurou para gravar; como não gastaríamos nosso dinheiro fizemos com eles, só isso. Não tínhamos nada a ver com a vendagem, só queríamos gravar um disco. Sai porque fiquei a fim, só isso. Como qualquer trabalho em grupo, agente pode se cansar e querer fazer outras coisas. Fui ser diretor de palco do Nenhum de Nós e segui fazendo iluminação de shows e teatro e outras coisas.

UM - Como foi o a transição do Wander "punk hardcore" para o Wander "punk brega"?

WW - Simples. Com os Replicantes era o somatório de cinco pessoas. Depois era eu sozinho.

UM - Em 2003, você voltou para os Replicantes e fez uma tour pela Europa. Qual a diferença entre a cena punk latina e a européia? Você acha que aqui ainda se está preso ao punk meramente "político-panfletário"?

WW - Fizemos duas turnês. Não conheço a cena punk daqui. Na Europa é do caralho. Tem que ir pra lá pra saber ou ver o dvd Go Ahead dos Replicantes.

UM - Uma curiosidade: o que você acha dessa moda de "ser EMO"?

WW - Nada além de que a musica é muito ruim para os meus ouvidos.

UM - Responde de bate-pronto:

- Ramones ou Sex Pistols? SEX PISTOLS
- Punk do ABC paulista ou da capital? EUROPA
- Vinil ou CD? VINIL
- Dilma, Serra ou nulo? NADA
- Punk is dead? EU ESTOU VIVO

UM - Os Replicantes sempre tiveram um nível cultural maior: você sempre trabalhando com cultura e o Gerbase como professor de cinema. Você acha que isso foi o diferencial da banda? O verdadeiro espírito punk é a ironia, não?

WW - O Heron é técnico master em computação e professor. O Claudio trabalha na área de cultura da prefeitura e a Luciana é jornalista e produtora de cinema. Nosso espírito é a diversão e consciência de vida.


Alguns vídeos da época do Replicantes e da carreira solo:

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