sábado, 8 de agosto de 2009

Luz, câmera e música! – More (1969)



Ficha técnica:

Direção – Barbet Schroeder
Roteiro – Barbet Schroeder e Paul Gegauff
Fotografia – Nestor Almendros
Trilha sonora – Pink Floyd
Elenco – Mimsy Farmer, Klaus Grunberg, Heinz Engelmann e Michael Chanderli
Duração – 116 minutos

Os anos 60 foram conturbados, o mundo estava em ebulição. O filme do diretor alemão Barbet Schroeder retrata com perfeição a contracultura europeia, sem frescuras ou pudores. More foi concebido como um filme de pura arte que tentava buscar respostas para a mutação de pensamentos dos mais novos. Rodado na França e Espanha, o longa metragem é, de fato, uma produção multicultural, já que ao longo da obra fala-se inglês, espanhol, francês e alemão.

Drogas, sexo e rock’n’roll. Pode parecer um clichê, mas essa frase resume bem o filme, que tem o Pink Floyd como responsável pela trilha sonora. Como um floydmaníaco assumido, tenho o disco homônimo ao filme como um dos favoritos. Nesse disco os ingleses apresentam o último resquício da psicodelia. Mas, deixemos a resenha desse álbum para outro dia.

Voltando a sétima arte, More é perfeito do começo ao fim. Em plena Paris, cidade sede de revoltas estudantis e de movimentos de esquerda, um alemão se apaixona por uma americana, meio a algumas ações ilegais. Consumo deliberado de álcool e maconha, sexo e um mundo a ser descoberto. A estética é belíssima, sem qualquer uso artificial. Nos rostos dos atores ainda havia um ar ingênuo que todo aquele idealismo deixara, mas que, infelizmente, acabaria em pouco tempo.

O casal viaja para Ibiza, onde passa a morar afastado de tudo. Lá, vivem apenas por viver, escutando música, lendo, vivendo da natureza e utilizando drogas. Não demora muito até que a heroína adentre em suas vidas, deixando uma cicatriz aberta e infecciosa. A relação de amor entre os dois é substituída pela necessidade à droga.

Esse não é um típico filme com um final feliz ou que mostra a contracultura de forma romantizada e vendida, como Hair (1979). More é dramático, lento, ácido e crítico. Uma obra prima do cinema. Se a contracultura faliu, esse filme é preciso em mostrar as razões.

Nenhum comentário: