sábado, 8 de agosto de 2009

"Esse disco mudou a minha vida" #1 - Ricardo Batalha


"Este disco mudou a minha vida" - VOL 4 – Black Sabbath


Descobri o Heavy Metal por acaso, na passagem de 1979 para 1980, ouvindo o disco Vol 4 da banda inglesa Black Sabbath, a grande precursora do estilo. Como meu falecido pai havia sido advogado da gravadora Odeon e habitualmente levava para casa caixas LPs, especialmente na época do Natal, o álbum estava largado em algum canto, mas nunca tinha escutado-o. Em meio a muitas coletâneas, a maioria de Disco Music do final dos anos 70, lá estava o Vol 4, que rapidamente se tornou meu preferido. A partir daí, passei a ouvi-lo todos os dias.

O Black Sabbath pode ter simplificado o título de seu quarto trabalho de Snowblind para Vol 4, mas demonstrou maturidade e evolução em relação aos anteriores: Black Sabbath, Paranoid e Master of Reality. Como conseguir isto num período de excessos com drogas, álcool e o esgotamento físico é algo que só o Heavy Metal explica.

O grupo deixou a Inglaterra para gravar no Record Plant Studios, em Los Angeles (EUA). Lá, se fixou em uma mansão localizada em Bel-Air que pertencia ao milionário John DuPont. Mesmo em meio a alguns abusos e muita farra, o Sabbath compôs outra grande obra, lançada em 25 de setembro de 1972.

A abertura vem em grande estilo com Wheels of confusion e lá está Bill Ward detonando na batera. O disco segue com a furiosa Tomorrow's dream. Supernaut fala de drogas e só o sussurro 'Cocain' de Ozzy em Snowblind dispensa comentários. Os momentos calmos vêm com Laguna sunrise e na balada Changes, que virou hit de rádio. A música, que teve os teclados executados por Tony Iommi (piano) e Geezer Butler (mellotron), foi usada tempos depois no "Lado B" do single Sabbath bloody sabbath.

Vol 4 ainda traz Cornucópia, St. Vitus dance e Under the sun, típicos exemplos de onde veio o estilo Doom Metal. Os timbres dos instrumentos viraram referência e muitos músicos ainda tentam captar a essência de Vol 4, que em menos de um mês obteve o disco de ouro, posteriormente sendo o quarto disco consecutivo da banda a obter a marca de um milhão de cópias vendidas nos EUA.

Por Ricardo Batalha, editor-chefe da revista Roadie Crew

3 comentários:

Paulo Potiguara disse...

Tenho 53 anos e sou do tempo em que era de muito mau-gosto gostar do Black Sabbath. Conheci o VOL. 4 em 1973 e ele tocou muito tempo no meu mini-cassete e no 1º toca-discos. Com o passar do tempo comprei um novo vinil e um CD. Junto com o Sabbath, Bloody, Sabbath são os meus preferidos dessa grande banda de Rock.
Parabéns pela matéria e um forte abraço.

fabiopires disse...

Apesar de não gostar de Black Sabbath e não ser fã de HM em sua totalidade, tenho que considerar que esse trabalho de Ozzy Osbourne e sua 'trupe pesada' foi de máxima influência para o que viria nos anos seguintes em termos de rock, stoner rock, grunge, HM da década de 80 e afins...

Ugo Medeiros disse...

Escutei hoje o disco depois d eum bom tempo. É um baita discaço... E olha que eu não curto Heavy Metal...