sexta-feira, 3 de julho de 2009

Entrevista Johnny Ohnmacht


Considerado uma das grandes revelações do blues americano, o guitarrista do Colorado faz um blues com bastante influência de funk e jazz. Atualmente, lidera a Johnny O. Band, com a qual já gravou três discos, Johnny O. Band (1997), River in the Sky (2000) e Time for Turnaround (2004). Esbanjando simpatia e humildade, o bluesman bateu um papo bem descontraído antes de sua apresentação no Rio Rock & Blues.

Ugo Medeiros – O seu som tem influências de jazz e funk. O que você escutava na infância?

Johnny Ohnmacht – O primeiro contato com a música foi através do meu avô. Ele era da filarmônica de Nova Iorque e eu sempre o escutava praticando. No colégio, passei a escutar outras coisas. O primeiro guitarrista que escutei foi o Santana. Depois conheci Allman Brothers Band e Stevie Ray Vaughan, fui aos shows dessas duas bandas em 84, 85, 86 e 87. Entretanto, o meu blues vem de nomes como Albert King, Freddie King, BB King e Albert Collins. Essas foram as grandes influencias quando eu era menor.

UM – Você é do Colorado. Qual o perfil musical daquela região? Você acredita estar criando um “Colorado blues”, assim como já existe o Chicago e o Memphis blues?

JO – É uma boa pergunta. No Colorado tem uma cena de jam bands, grupos com o mesmo estilo do Grateful Dead e do Phish. São bandas que prezam mais pelo improviso, os shows são sempre diferentes. Essas bandas têm muito do blues, estão trazendo o verdadeiro blues de volta.

UM – O seu último CD, Time for Turnaround, apresenta uma evolução/amadurecimento seu enquanto músico?

JO – Eu acredito que o bom músico está sempre crescendo e mudando. Toco há mais de 20 anos. São muito shows e há sempre algo diferente que o influencia, dependendo do que eu estou fazendo e escutando, do que o governo faz ou de um relacionamento. Eu escrevo escreve sobre o que está acontecendo na minha vida. Fiquei mais esperto e experiente. Aprendi muito com os outros discos, haja vista que eu produzi esse disco. Espero que no futuro a minha guitarra soe ainda melhor.

UM – Você pode falar um pouco sobre a cozinha que te acompanha, Marion Edwards (baterista) e Ian Anderson (baixo)?

JO – Eu amo esses caras. Marrion viveu em Nova Orleans por dez anos. Ele fez um teste para o Ed Sullivan em 1969, quando eu tinha apenas três anos. Ele é um baterista incrível, está há muito tempo na estrada. Meu grande objetivo é trazê-lo ao Brasil. O Ian está comigo há dois anos. Ele tem um estilo jamaicano e é muito criativo. A cada dia está melhor. Ambos são muito talentosos.

UM – O cenário do blues no Brasil é precário. Como é nos EUA? A crise afetou o mercado do blues?

JO – Não apenas o mercado do blues. Todos os setores se deram mal. Na verdade, em tempos mais difíceis as pessoas sempre escutam mais blues. A economia está ruim, como nos anos 20 e a Grande Depressão. Foi quando o blues mais se desenvolveu. Quem sabe em uma nova grande crise surja o novo Robert Johnson?

UM – Ainda há espaço para o blues tradicional?

JO – Com certeza. As pessoas ainda amam esses músicos. Às vezes reservo uma parte do show para fazer uma sessão acústica, utilizando o finger style e tocando alguns clássicos de bluesmen como, Lonnie Johnson e Blind Blake. Eles ainda estão vivos na memória de todos.

UM – Você acredita em inovações no blues, como influências do rap e música eletrônica?

JO – Provavelmente eu escutaria coisas mais antigas, pois não escuto esse novo tipo de blues. Gosto de escutar algo que já estou familiarizado. Não me vejo tocando com essas novas influências.

UM – Qual foi o momento mais importante da sua carreira?

JO – Quando conheci o meu empresário, Grenville (risos). E claro, vir para o Brasil!

UM – Qual o recado para os jovens aprendizes de guitarra?

JO – Se vocês gostam de blues, escutem os três reis: Albert King, Freddie King e BB King.

Um comentário:

fabiopires disse...

Ugo,

Gostei bastante das entrevistas feitas aqui e no collectors com o Igor Prado , meu caro.Esse teu talento de entrevistas vai longe, meu chapa...Abraços...