segunda-feira, 29 de junho de 2009

Jukebox – The decline (NOFX)


Raoni Feijó enviou uma sugestão para o primeiro jukebox, diga-se de passagem, uma baita sugestão! A banda escolhida, NOFX, foi uma das mais importantes para a minha formação musical. Durante o período do ensino médio, a minha raiva às instituições estava a flor-da-pele, assim como aos professores, às patricinhas e outros mongolóides sem neurônios, ao vestibular, enfim, ao mundo. Eu queria quebrar tudo em volta, mas ao som do NOFX!

A banda californiana, formada basicamente por Erik Sandin (bateria), Eric Melvin (guitarra) e Fat Mike (baixo), apareceu em 1983, com um som punk bem característico daquela região, com influência de surf music, skate punk e ska. A competência os levaram a gravar alguns singles e discos. Após algumas trocas de músicos, em 1991 com ingresso de El Hefe (guitarra), o NOFX consolidou-se como um dos grandes do estilo e lançou grandes álbuns, tais como Punk in Drublic (1994).

Entretanto, em 1999 o quarteto romperia os limites do punk. The Decline (Fat Wreck Chords) é um disco que traz apenas uma canção homônima. Com 18:20 minutos, uma eternidade para os seguidores do estilo, a música é praticamente uma “ópera punk”. Sinceramente, meu conhecimento sobre esse seguimento do rock é pequeno, portanto não sei dizer se foi a primeira “ópera de moicanos”. Mas, posso dizer, com toda tranqüilidade, que é uma obra-prima!

Não há surpresas no começo, um hardcore com a cara do NOFX. Logo na primeira frase uma amostra do que viria pela frente: “De onde vêm todas as pessoas estúpidas?”. Alternando alguns momentos calmos e caóticos, o grande destaque é o baterista, que não erra e coloca bastante peso. Depois, a canção muda e traz árduas críticas aos EUA: “Eu queria ter um schilling, por cada matança sem noção, por cada matador sem noção. Eu compraria um governo. América está a venda e você pode conseguir um bom negócio nela, um bom negócio nela, e fazer um lucro revigorante. Ou talvez, chorar. Comece com a suposição de que um milhão de pessoas são espertas. Mais espertas que uma!”.

Há espaço ainda para um ska-punk que emociona. A canção continua em uma pegada californiana com bastante suingue, até que chega a transição entre os dois momentos que dividem a peça. Um momento dark, recheado de explosões, e uma fala desesperançada: “Mais uma pílula para matar a dor...”.

Após a catábase, uma viagem ao mundo dos mortos, o grupo retorna bravamente à terra do hardcore, lugar que se sentem em casa. É um verdadeiro expresso punk! A volta traz mais frustrações da sociedade competitiva por natureza: “E então nós vamos, indo com nossas vidas. Nós sabemos a verdade, mas preferimos mentiras. Mentiras são simples, simples é felicidade. Por que ir contra a tradição enquanto nós podemos admitir derrotas, viver no declínio! Ser a vítima de nosso próprio projeto, O status quo construído sob suspeita. Por que alguém gostaria de arrancar seus pescoços? Caros membros do clube "Nós Conseguimos o Nosso", Eu gostaria de apresentá-los ao nosso anfitrião, Ele conseguiu o dele, e eu consegui o meu. Conheçam O Declínio”.

A obra encerra ao som do ska-punk e sob os gritos enraivecidos: “Nós somos as bichas. Nós somos as putas Munição! Na guerra de classes. Nós somos trabalhadores Nós amamos nossa rainha. Nós sacrificamos. Nós estamos à beira do fim”.

The decline é uma daquelas canções gravadas despretensiosamente, mas que depois se tornaram hinos do rock. Interessados em conhecer um pouco sobre o punk devem correr atrás do NOFX, especialmente dessa canção.


Gostou da escolha? Mande uma sugestão. No jukebox, você quem manda!

Um comentário:

luiz disse...
Este comentário foi removido pelo autor.