domingo, 1 de junho de 2008

Hamilton de Holanda Quinteto, Brasilianos 2


Nos EUA ele é considerado o “Jimi Hendrix do bandolim”, na França é chamado de “Príncipe do bandolim” e em seu currículo constam importantes prêmios, como o Tim de melhor banda e performer 2007. Em show realizado no Circo Voador (RJ), Hamilton de Holanda Quinteto lançou neste último sábado, 31/05, seu novo CD, Brasilianos 2.

O repertório, composto por composições antigas e inéditas de seu novo trabalho, casos de Ano bom, Mundo não acabou, Tamandua e Ajaccio (em performance solo), contagiou o público, que se deixava embalar pelas belas melodias do excelente quinteto. A gaita cromática de Gabriel Grossi e o competente violão de Daniel Santiago garantiam uma harmonia leve e suave, enquanto que a cozinha, contra-baixo e bateria, André Vasconcellos e Marcio Bahia, respectivamente, ditavam o rítmo perfeito. “Considero o Brasilianos 2 como o meu amadurecimento. Fiquei muito feliz com o resultado pois foi gravado com muita união entre todos da banda”, conta o bandolinista.

O músico, que inova ao tocar um bandolim de 10 cordas, pode ser considerado a nova cara da música instrumental brasileira.

“Eu fiz esse instrumento sob encomenda. Sempre quis compor de forma orquestral, ou seja, fazer a harmonia, melodia e rítmo. Com a adição dessas duas cordas ganhei uma maior extensão e um som mais grave. Queria, e consegui, um novo jeito de tocar”, diz Hamilton.

Influenciado pela música popular (mestres do choro, samba e bossa nova) e música erudita (jazz e música clássica), Hamilton de Holanda consolida o seu trabalho com uma música que trascende classificações. “Sinceramente, eu não sei e nem pretendo rotular o meu trabalho. Acho importante esse elo entre o passado e futuro. Costumo dizer que o moderno é tradição. E, convenhamos, a tradição é moderna (risos)”.

No entanto, enganam-se aqueles que pensam que o carioca tenha escutado apenas nomes como Pixinguinha. O rock também o ajudou na formação de músico. “Cresci em Brasiília na época em que bandas como Legião Urbana e Paralamas do Sucesso estouravam nas rádios. Ainda tive um grupo chamado Entregadores de Pizza, onde eu tocava baixo”, revela. E do mundo roqueiro veio um dos momentos mais emocionantes de sua carreira: em terras francesas, dividiu o palco com John Paul Jones, baixista do Led Zeppelin.

- Eu dava aula em um workshop de bandolim, quando me pediram para fazer uma melodia no baixo. Foi quando apareceu um senhor que se ofereceu para tocar o instrumento, de forma que eu não parasse com o bandolim. Me falaram depois que era o Cara. Não acreditei! Conversamos um pouco e depois demos uma canja juntos. Até hoje nos falamos, pois temos amigos de bluegrass em comum - relembra Hamilton.

Hamilton de Holanda constrói, de forma sólida, uma carreira vitoriosa. Querido no Brasil e no exterior, o músico esbanja técnica e um virtuosismo ideal. Atualmente, já pode integrar a lista dos grandes nomes da música brasileira.



Foto:Ugo Medeiros

Um comentário:

anamaria disse...

Numa terra onde campeões de vendas de cd sejam o sertanejo, pagode e funk não é de se estranhar muito que músicos de qualidade como ele sejam mais conhecidos e festejados no exterior. Uma pena. Adorei o nome da banda dele quando jovem: Entregadores de Pizza!
Bjs.