quarta-feira, 18 de junho de 2008

Crianças, prestem atenção à aula de blues!



Este ano fui ao Rio das Ostras Jazz & Blues Festival. Fui na expectativa de ver o lendário John Mayall e os Bluesbreakers. Mas, antes do show do pai do blues inglês, tive um momento de aprendizado. Sim, aprendizado, e em pleno festival, no meio de mais de 15 mil pessoas. Quando o Blues Etílicos subiram ao palco e começaram seu concerto tive a impressão de estar em uma aula música, fazendo (escutando) a lição sobre blues.

Ao contrário do que muitos podem pensar, esta não foi a primeira vez que assisti ao show da banda. Seria mais um. Mas, um sentimento estranho, aos poucos, tomou conta de mim. Meio a releituras de Muddy Waters e algumas canções próprias, o grupo que tem 21 anos de estrada esbanjou técnica e mostrou o verdadeiro feeling do blues. Se em clássicos como I want to be loved de Willie Dixon, Good morning little school girl de John Lee Williamson, e Walking blues de Muddy Waters, o quinteto mostrava a intimidade com o estilo centenário, o mesmo pode ser dito em relação a Semms like the whole world was crying, um blues-rock do gaitista Charlie Musselwhite. Havia, ainda, espaço para interpretações brasileiras: um cover do saudoso Raul Seixas, Canceriano sem lar, e Dente de ouro, uma versão de blues com capoeira.

Ver a apresentação dos Etílicos foi participar de um imenso orgasmo musical coletivo, onde todos, sem excessão, entravam em um estado de insanidade devido à performance incendiária de Otávio Rocha, sem dúvida o melhor slide tupiniquim e ao virtuosismo de Flávio Guimarães, gaita e vocal, hoje um dos músicos brasileiros mais respeitados fora do Brasil. Há de se reverenciar esses desbravadores do blues nacional, que ainda conta com a guitarra base e o incrível vocal do americano Greg Wilson, natural do Mississipi, e uma cozinha em perfeita sintonia, Pedro Strasser (bateria) e Cláudio Bedran (baixo).

O show encaminhava-se para o final e, paulatinamente, o sentimento de êxtase diminuia. Após uma aula de como o blues deve ser tocado, o público parecia estar esgotado emocionalmente com o privilégio de ter visto a maior banda de blues brasileira. Porém, todos tinham uma certeza, aquele momento seria para sempre recordado: o dia em que a cidade de Rio das Ostras teve uma aula de música para 15 mil alunos insandecidos pelo calor da boa música.


Foto: Divulgação

Um comentário:

sem disse...

Ugo, bela sua descoberta do Blues Etílicos. Esse pessoal se não tivesse pisado na jaca com os dois pés não teria ficado esquecido por tanto tempo. Sua geração jovem deixou de vê-los ainda cedo.
Parabéns por dividir e divulgar tha ole brazilians bluesboys.
Espero que eles retornem mesmo.
Abraços de Catita sua leitora