quinta-feira, 6 de março de 2008

Jazz nas estrelas


Aos amantes do jazz e da boa musica, uma boa noticia. A partir deste fim de semana a talentosa banda Austerlitz se apresentará durante todos os sábados de marco, as 21:30h, no Astro Bar do Planetário, Gávea. Influenciados por nomes como Miles Davis, John Coltrane, Charlie Parker e Thelonious Monk, o quarteto formado por Daniel Romano (guitarra), Bruno Repsold (contrabaixo acústico), Eduardo Santana (trompete) e Antonio Neves (bateria), traz um repertorio baseado em standards jazz, releituras dos grandes ídolos e composições próprias. O couvert artístico de R$ 5 ainda oferece ao publico a oportunidade de assistir participações especiais. Beber uma cerveja gelada ao som do excelente grupo, garante um ótimo programa.

Bate-papo com Daniel Romano:

Ugo Medeiros - Qual guitarra você usa, e por quê?

Daniel Romano - No Jazz, eu estou usando uma Epiphone modelo Joe Pass de corpo grande (Archtop). Nas minhas outras bandas de rock, uso uma Gibson ES335 e, eventualmente, uma Fender Stratocaster. Antigamente usava a Gibson para tocar jazz, mas tinha que selecionar o captador grave e fechar o botão de tone para chegar perto do timbre jazzístico que eu procurava. Entretanto, o som ficava muito grave e sem definição, alem de colocar em xeque o ótimo som que a 335 tem a oferecer. Juntei uma quantia e comprei a Epiphone. Desde então passei a usar essa, pois posso botar no captador grave, deixar o botão de tone no máximo e conseguir um som aveludado, bem definido. Para isso eu uso um amplificador Fender Blues Junior ou um Ampeg Reverbrocket. Em ambos, eu boto a regulagem de médios e agudos quase no 0, e o botão de grave, um pouco acima da metade, assim extraindo o som tão desejado.

UM - Você começou escutando rock, é um Beatlemaníaco e foi pro jazz. Como essa transição musical influenciou na sonoridade da sua guitarra?

DR - Meu som de guitarra mudou bastante com o tempo. Simplificando o processo, eu diria que quando comecei a tocar, eu tinha uma Les Paul Special II que era horrível e desafinava a todo o momento. Achava o máximo, com ela eu tentava tirar um som meio Kurt Cobain, que era O cara para mim na época (risos). Depois eu entrei na onda do rock clássico, Beatles, Led Zeppelin, Eric Clapton, e comprei uma stratocaster, que representou uma enorme evolução. Queria apenas solar em blues, então punha a minha Strato no captador agudo mais alto que o restante. Sempre pediam para eu abaixar o volume. Os sons eram horríveis, entretanto todos os companheiros dizem que essa época foi a nossa escola de improviso. Mais tarde entrei em uma banda de reggae e me dediquei em arranjos e guitarras limpas, buscando um som peculiarmente “George Harisson”, como o solo de Something. Serviu para expandir meus horizontes e moldar minha personalidade musical. Conheci o jazz através de um professor que me recomendou o Bitches Brew do Miles Davis. Achei o disco chato, mas resolvi dar uma segunda chance. Ao ouvir novamente, veio o estalo: "Caralho! Acho que eu encontrei o sentido da minha vida!" (risos). Aquilo foi um divisor de águas para mim. Tinha esse mundo novo e ao mesmo tempo as guitarras do McLaughlin. Comecei a estudar e ainda hoje tenho muito a aprender. Logo a lista de influencias aumentou consideravelmente: Coltrane, Billie Holiday, Sarah Vaughan, Thelonious Monk, Jim Hall, Sonny Rollins, Kurt Rosenwinkel, Brad Mehldau, Joshua Redman, The Bad Plus, Russel Malone, Louis Armstrong, Duke Ellington e muitos outros. Há alguns anos comecei a ter acesso a muita musica clássica também. Me fascina e me estimula o fato deles terem uma organização musical tão desenvolvida. Resumindo, eu gosto de quase tudo e me influencio por quase tudo. Os estilos podem ser fundidos muito facilmente na minha cabeça, e no fim é tudo musica (sem filosofia vaga).

UM - Você pretende incluir no repertorio trabalhos de guitarristas que dedicaram-se ao jazz-rock, como Zappa e Mahavishnu Orchestra?

DR - No momento, eu estou tocando Blessed Relief do Zappa, mas assim que tiver mais tempo pra ensaiar com a banda, muitas outras musicas podem ser incluídas no repertorio. Pretendo, inclusive, rearranjar musicas do Kraftwerk. Tudo é possível no jazz, com certeza pretendo incluir musicas de outros gêneros independente de serem de guitarristas. A beleza deste estilo é, justamente, não ter um padrão, não é necessário aquela bateria "tin-tin-tin-tin-tin" ou aquele walking bass, ou quatro caras tocando de terno num bar, para meia dúzia de bebedores de whisky.

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