domingo, 9 de dezembro de 2007

“Pode comprar, é importado.”


Sabe aquelas vezes em que vemos um produto novo, de alta tecnologia, com mil e uma funções, algumas dezenas de botões porém, não sabemos a sua real utilidade, e na dúvida entre comprar e economizar um bom dinheiro, o vendedor dá o argumento arrebatador: “pode comprar, é importado.”? Pois é, hoje, ao assistir o show do The Police (pela televisão!) me senti nesses casos. Bem que o Arthur Dapieve avisou. Quem dera se todos tivessem escutado. Ao menos economizei R$190. Após grande divulgação da imprensa e uma mega produção, pergunto-me se este concerto valeu toda a movimentação e agitação. Infelizmente, temo que a resposta seja negativa.

Não pretendo, através deste texto, desmerecer a importância do trio à história do rock. Sem dúvida, o final dos anos 70 ficaram mais interessantes com o rock encravado em bases de reggae. Mas, ir a um show desproporcionalmente caro para ver uma atuação fria e sem sal, e ainda querer vender a idéia de que foi um (virtual) momento histórico, já é pedir demais. Assim sendo, encaro esses sentimentos e alegria puramente como um saudosismo. Convenhamos, saudosismo por saudosismo é melhor ir à uma Festa Ploc (revivals dos anos 80), onde o valor da entrada é infinitamente menor, as versões de estúdio são boas e não há uma imensidão de pessoas num espaço mal organizado (diga-se de passagem, tão mal organizado que faltou água, ocasionando mal estar em muitas pessoas!).

O show começou e eu tinha esperanças de ver um espetáculo épico. No início, estava triste por não ter me juntado às mais de 80 mil pessoas que se apertavam para ver os três ídolos. Sensação que rapidamente foi embora. Apesar da simpatia de Sting, o grupo, claramente, passa longe do melhor entrosamento. As músicas eram suportáveis até o momento em que um decidia fazer um novo fraseado, isso quando não era uma nova versão por completa. King of Pain fez jus ao título, enquanto que Every Little Thing She Does is Magic, uma das melhores e mais empolgantes do vasto repertório, conseguiu ser apenas regular (quando não monótona). A excessão foi So Lonely, que conseguiu levantar o público e lembrar as (boas) gravações de estúdio. Que decepção! A frieza imperava no palco, haja vista que eles mal se olham.

Sting, fora de forma; Copeland tentando (em vão) segurar a pressão; e Summers em outra sintonia, apresentando excelente técnica característica da sua parceria com Robert Fripp, dava um ar progressivo em alguns de seus solos. Mas... Que porra era aquela? Eu queria ver o The Police, e não uma banda cover!

Usar o gramado sagrado do Marcanã praquilo? Naquele palco, que já tocaram Paul McCartney e Queen, ambas apresentações épicas, usá-lo nessa noite foi de uma total heresia. Deveria ter um decreto, permitindo apenas bandas com mais de 40 anos de estrada tocassem no estádio. Sinceramente, a lista de papelões, digo shows, como Sandy e Júnior, Backstreet Boys e Ivete Sangalo, ganhou mais um para fazer companhia: The Police.

A multidão de fãs e iludidos que pra lá foram em busca do som que o trio já fizera há 20 anos atrás (os trabalhos solos de Sting e Summers considero muito bons), saiu decepcionada. Em busca de momentos empolgantes e nostálgicos, o público pôde sair feliz. Sem sombra de dúvidas, o show do Paralamas do Sucesso foi perfeito!

2 comentários:

Fabio disse...

é...ao ferir um momento especial pra muita gente com críticas mal feitas e padronizadas vc simplesmente mostrou não estar preparado para criticar música.
Então seguindo tua onda, lá vai:
Bom mesmo é Jefferson's Balloon!!!
Abs

Felipe disse...

Seria uma má critica se não tivesse extraido nenhum comentário...