sábado, 6 de outubro de 2007

Michael Hill, o moderno blues-de-raiz


“Este show é dedicado à paz e justiça”. A frase dita no começo de suas apresentações, retrata bem o compromisso que Michael Hill tem com as questões sociais. Pela sexta vez no Brasil, no 5º Rio das Ostras Jazz & Blues Festival, o guitarrista americano resgata as principais temáticas que os fundadores do blues colocavam em suas letras. Marca característica desde o seu primeiro álbum, “Bloodlines”, suas letras politizadas e pegada forte na guitarra, esbanja calma e simpatia ao comentar sobre o conteúdo de sua música:

- O blues contemporâneo foca em temas recorrentes da música pop: romance e a relação homem/mulher. Acredito que seja um bom momento para os bluesmans de todo o mundo escreverem sobre paz e guerra, igualdade e justiça, direitos humanos, amor, entre outras coisas. É importante centrar nesses assuntos pois todos vêem o blues como uma expressão popular.

Como um ferrenho crítico às políticas Norte-Americanas, mostrou sua contestação através de um blues-rock de qualidade. Sua nova composição “Black Gold” (referindo-se ao petróleo iraquiano), retrata sua oposição à atual gestão Bush.

- Eu não falarei de política; mas sim de lobos e mentirosos (risos). George Bush deveria estar preso. Ele basicamente destrói o nosso país e os dos outros. Comanda uma gangue de criminosos, sem piedade...

Entusiasmado, mostrou suas influências e emoção ao cantar composições de seu grande ídolo Jimi Hendrix: “Little Wing” e “Spanish Castle Magic”. Após o show comentou a importância do guitarrista e outros músicos como Marvin Gaye e Bob Marley em sua vida:

- Eu comecei a tocar guitarra no começo dos anos 70, após ir num show do Hendrix. Ele é o motivo de eu estar aqui hoje. É uma inspiração pela sua forma de tocar, cantar e escrever. Há vários outros grandes guitarristas, mas ele tinha algo a mais: uma forma de se expressar com paixão. Já artistas como Marvin e Bob, eram grande pessoas. Estavam preocupados com o próximo, com a vida e o amor. Não apenas cantavam “palavras”, mas cantavam seus sentimentos...

Com alguns covers de Muddy Waters, The Doors e Ottis Rush, empolgou o público brasileiro, o qual presenteou com uma apresentação extra no último dia de festival. Seu carinho pelo Brasil é tamanho que revelou ainda sua vontade de conhecer e poder ajudar o país em seus problemas sociais visitando alguma favela ou ONG. Ainda revelou um projeto futuro, que deixará a todo brasileiro contente:

- Eu gosto muito da músicalidade brasileira. Pretendo compor algum blues com samba ou bossa nova. Tenho muito carinho pelo Brasil e seu povo. Quem sabe no futuro não escrevo algo em homenagem?

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