segunda-feira, 10 de setembro de 2007

Jimi Hendrix, O grande mestre!


Para começar, postarei uma matéria sobre o grande astro do rock: Jimi Hendrix. Ela foi publicada na Revista Pilotis de Agosto (nº25), revista de circulação interna na PUC-Rio.


Jimi Hendrix: trajetória, legado e algumas lendas.

1966. Pelas ruas do Harlem, Nova Iorque, um certo guitarrista negro, franzino e canhoto liderava a banda Jimmy James and the Blue Flames. Ele, que já havia tocado como músico contratado de bandas como Isley Brothers e Little Richards, estava cansado do anonimato e papel coadjuvante. Eis que a sorte bateu em sua porta quando Chas Chandler, baixista do The Animals, rodava por casas noturnas atrás de uma nova estrela para produzir. Ao se deparar com aquele negro de pegada forte, tocando uma guitarra invertida extremamente alta e com uma voz possante, o levou imediatamente para Londres com promessa de transformá-lo num Rock Star. Vendo o potencial daquele rapaz tímido e envergonhado com sua voz, o colocou imediatamente em um estúdio para mostrar seu verdadeiro potencial.. Este guitarrista mais tarde passou a se chamar Jimi Hendrix.
Em Londres, até então como um desconhecido, foi a um show de Eric Clapton, o maior guitarrista do mundo do blues-rock. Poucos músicos tinham a coragem de chegar perto do gênio. Ninguém que tivesse técnica suficiente para tocar ao lado do guitar hero se arriscaria numa apresentação em que poderia ter fama de mau instrumentista. Porém, nesta noite Jimi chega perto de Eric e pergunta se poderia fazer uma jam com ele. Uma vez autorizado a se juntar, plugou sua guitarra. Em pouco tempo, sua performace incendiária com dedilhados impossíveis de executar e acrobacias, levou o público ao delírio. Ele acabara de se apresentar ao público londrino, e Eric ganhou um amargo presente: o destronamento de Rei da guitarra.
Após aquela apresentação corriam rumores de que havia um novo guitarristas na cidade. Um americano que desbancou Clapton, o líder do fantástico trio Cream. Chas, visando a gravação de um álbum para lançar sua nova estrela, fazia audições para montar uma banda que pudesse acompanhar Jimi. Assim, em pouco tempo Mitch Micthell (bateria) e Noel Redding (baixo) juntaram-se, formando o The Jimi Hendrix Experience.
Com a fama assegurada e um público já fiel ao seu trabalho e estilo, grava os seus dois primeiros álbuns em 1967: Axis Bold as Love e Are you experienced?. No mesmo ano, a pedido de Paul Mccartny, toca no Monterey Pop Festival. Um dos grandes marcos de sua carreira. Nos bastidores uma das “brigas” mais famosas da história do rock: um grande desentendimento entre Jimi e a banda The Who. Os ingleses, que na época eram considerados a rebeldia do rock, com letras sobre a juventude enfurecida, negavam-se a tocar depois dele. Após muita discussão, eles entraram primeiro e ao término quebraram todos os instrumentos e praticamente todo o palco. Na saída, o guitarrista da banda, Pete Townshend ainda o provoca dizendo algo do gênero: “Quebramos tudo, não sobrou nada para você fazer”. Hendrix com seu jeito tímido, ignorou e começou seu show. Após a execução de “Wild Thing”, coloca fogo na guitarra e a destrói por inteira. Esta cena clássica, encontra-se disponível no DVD Jimi Plays Monterey.
Em 1968, junto com o terceiro álbum e último de estúdio, Electric Ladyland, vem os problemas com as drogas. O desgaste causado durante as gravações do último álbum, levaram o Noel a largar a banda.
Em 1969, com Billy Cox, um antigo amigo de jimi dos tempos de exército, no baixo, a banda faz shows memoráveis. O maior deles, sem dúvida, o de Woodstock. O festival promovido em prol da paz reuniu mais de um milhão de pessoas. Até então sua presença era uma incógnita, quando apareceu no último dia às 9h da manhã, quando muitos já tinham ido embora.. Muitos dizem que ele estava sob efeito de um ácido muito forte e a banda não havia ensaiado, mas, quem permaneceu, viu uma performace histórica com grandes hits de toda a carreira e uma execução do hino nacional dos EUA distorcida, “The Star Spangled Banner”, com efeitos de bomba e metralhadoras. Sem dúvida, o ponto alto dos protestos contra a Guerra do Vietnã.
Ao final de 69, monta uma nova banda: Band of gypsys, integrado por Billy Cox e Buddy Miles na bateria. A banda tem vida curta, mas durou o suficiente para ser considerada uma das melhores formações da história do rock.
No último ano de vida, 1970, Hendrix estava completamente consumado pelas drogas. Seu show no Isle of Wight Festival (Agosto), um dos últimos de sua vida, apenas como “Jimi Hendrix” (mas com Mitch Mitchell novamente na bateria), foi o retrato da destruição. Com algumas versões em que mal conseguia tocar por completo, deixou seus fãs decepcionados. O pouco de vida que lhe restava foi gasto em uma última turnê pela Europa, onde chegou a ser vaiado na Alemanha. A banda se desfez.
No dia 18 de Setembro de 1970, morreu em solos ingleses após se engasgar com o seu próprio vômito. Seu corpo não aguentou as nove pílulas para dormir. Ia assim aos 28 anos o grande Deus da guitarra, Johnny Allen Hendrix, ou como ficou conhecido pela eternidade, Jimi Hendrix. Infelizmente partiu cedo, mas sua música permanecerá para sempre no mundo rock; este que foi recriado, sem sombras de dúvidas, por ele.

Discografia básica:

Are You Experienced – Disco de estréia de Hendrix, traz um pouco de blues, “Red House”, e um pouco de rock, “Fire”. Disco que certamente influenciou quase todas as bandas de rock que viriam por vir, como Cactus, Pearl Jam, Red Hot Chili Pepers, entre outras.

Axis Bold as Love – Segundo disco de estúdio, traz um rock psicodélico. Com algumas baladas, como “Castles made of sand” e a eterna “Little Wing”, e algumas outras com um som mais pesado, como “Bold as Love” e “Spanish Castle Magic”. Após a gravação , Hendrix deixa o estúdio num táxi, levando consigo a fita master. Ao sair esquece-se da fita. Ele e Chas chandler passam a madrugada novamente masterizando o álbum a partir das gravações dos canais. Jimi nunca ficou completamente feliz com o resultado. Se o disco gravado “às pressas” já é uma maravilha, o que esperar da original?


Electric Ladyland – Álbum que necessitou de muito investimento para poder atender todas as vontades de Jimi. Um disco com claras influências de Jazz, como “Rainy Day”, blues, como “Voodoo Chile”, rock psicodélico, “1983... (A Merman I Should Turn Be)”, e a versão de Bob Dylan, a qual Hendrix imortalizou, “All Along the Watchtower”.

Band of Gypsys – Gravado com a formação Hendrix/Cox/Miles, o álbum ao vivo é considerado um divisor de águas para os que gostam de um rock swingado. A versão de “Machine Gun” é uma aula de guitarra.


Jimi Hendrix: Blues – Um Álbum com a assinatura de gênio. Composições próprias e de outros bluesmans, apenas com o melhor do blues. Mostra porque é considerado até hoje como um dos melhores. Sem dúvida seu sucessor Stevie Ray Vaungh escutou muito o vinil...

BBC sessions – O CD duplo importado é caro, mas um dos melhores álbuns. Com quase todos os clássicos da carreira, destacam-se as versões de “Day Tripper” (The Beatles) e “Sunshine of your Love” (Cream).


O legado de Hendrix no Brasil. Como ele influenciou na formação de cada guitarrista:

Otávio Rocha, guitarrista do Blues Etílicos – “O disco que marcou minha vida foi o que ele gravou ao vivo e também está disponível em DVD, o Band of Gypsys. A formação com Billy Cox no baixo e Buddy Miles na bateria representa o blues como deve ser tocado: levadas de soul music, meio funk, um som compacto. É o disco que até hoje não canso de ouvir. Buddy Miles, é perfeito. Hendrix dobrando a linha de base junto com Billy Cox é uma maestria. Recomendo sempre este disco, uma aula de ritmo. Tudo maravilhoso.”

Kiko Loureiro, guitarrista virtuoso do Angra - Sou um guitarrista que cresceu e estudou nos anos 80, portanto com outras influências; mas o legado que ele deixou em todos os guitarristas das gerações seguintes é evidente e incontestável. Sua agressividade, liberdade, improviso, sonoridade, intuição e espírito descobridor deixaram marcas em todos os guitarristas futuros. Hendrix é a personificação da guitarra, foi o grande semeador, é o grande ponto de partida para a guitarra do rock

Maurício Sahady, bluesman da “nova” geração – “O Hendrix transcende essa coisa da técnica; a ‘parada’ é densa, é intensa, é espiritual.”

8 comentários:

daniboy disse...

foi um filho da puta dum enfermeiro q tirou o majestoso do rock de nós eus fãs.. um enfermeiro.. q fdp... nem pra falar q foi erro médico..!!!

hahhaha boa ugão!!

Urubu-rei disse...

Caralho! 28 anos é cedo demais né...É foda, pq quase todos os astros de rock estão mortos?
Tá manero o blog! Parabéns Ugo!
Abraço!

ricardoaguiar disse...

ugo, parabéns pelo blog. já sabe, né? precisando de material, é só falar comigo ou com cesar!
mas desde já lanço um tema que faz pensar: hendrix, janis, morrison, os 3 morreram com a mesma idade. e outra curiosidade: todos têm a letra J: Janis, Jimi, Jim, John lennon, brian Jones...
não é estranho?
abração!
ricardo

Joao Marcelo disse...

ugo, o blog tá um luxo! eu já conhecia o material mas to adorando essa nova divulgação! QUERO VER A SUA MONOGRAFIA AQUI!!!!

ricardo, mto estranho, no mínimo curioso! no meu caso eu diria assustador.... vai que isso é regra? se for a minha hora tbm tá chegando (humildade é pouco pra descrever a minha inclusão nesse meio né? hahahahaha...).

abraços pra todos!
João
ou será q eu devo mudar o meu nome e tirar o "J"? hheheheh....

guido disse...

Eu nao sabia que voce gostava deste tipo de musica. Gosto muito de blue , dos velhos blues de New Orleans , daqueles de voz rouca. Um show de musica.
Parabens pelo blog...continue colocando novidades
guido corti

Felippão disse...

Fala Ugo!

Quem vos escreve é Felippão da Mojo Society, beleza?

Parabéns pela iniciativa do blog pois o Blues precisa mais de exposição e de pessoas como vc, incentivadoras e entusiastas do velho som do Mississipi!

Grande abraço

Felippão
Mojo Society
www.mojosociety.com.br
felippao@mojosociety.com.br

emilia disse...

Gostei bastante das reportagens, das entrevitas, das informações. Gosto muito de blues, apesar de conhecer muito pouco dos seus autores e interpretes, sobretudo os modernos. Seguro que vou apender muito, continuando a conferir o blog.

ze disse...

esta tudo muito bom mas
o nome do génio era

James Marshall Hendrix

sendo Jimi o diminuitivo de James
e não Johnny Allen Hendrix (?????)